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Um Panorama do Acesso à Saúde no Brasil

AUMENTO DE CUSTOS DIFICULTA ACESSO (no Brasil e no mundo)

O setor de saúde é um dos mais susceptíveis a disrupção digital e é também um dos setores em que os consumidores mais se beneficiarão das suas transformações a favor do aumento do acesso à saúde. Isso se torna ainda mais relevante quando é esperado crescimento dos gastos globais com saúde para os próximos anos (3,9% CAGR entre 2020-2024, de acordo com o último relatório global de saúde da Deloitte), e ainda mais quando os gastos per capita das últimas duas décadas cresceram mais de 131%. Entre os principais fatores para o aumento contínuo dos gastos destacam-se: o envelhecimento da população, o aumento da demanda por cuidados e o progresso tecnológico e clínico. No entanto, mais do que o aumento das despesas, o aspecto mais importante a ser avaliado é o acesso real ao cuidado a saúde e a cobertura à tratamentos e procedimentos ao redor do mundo, uma vez que essa varia de país para país.


ACESSO À SAÚDE - APENAS 1/3 DOS AMERICANOS ESTÃO COBERTOS

Os EUA, por exemplo, apesar de serem o país onde o gasto com saúde per capita é o mais alto do mundo - representando 18% do PIB - estão muito atrás de países europeus no que diz respeito ao acesso a tratamentos. Apesar dos esforços para aumentar o acesso generalizado e gratuito aos cuidados de saúde, o sistema universal em vigor não supriu as necessidades da população e os programas implementados pelo governo, como Medicare e Medicaid, cobrem apenas 14% e 21% da população, respectivamente. Isso significa que apenas 1/3 dos cidadãos americanos estão protegidos por um sistema universal acessível, enquanto o restante depende de suas seguradoras, planos patrocinados pelo empregador ou, o mais relevante, despesas do próprio bolso.

Ao mesmo tempo, o gasto “out of pocket” (despesas arcadas com o “próprio bolso”) per capita cresceu substancialmente nas últimas décadas, chegando a USD 1150 por ano, além da quantia que os cidadãos contribuem para os prêmios dos seguros saúde. Em comparação, os gastos diretos per capita dos países da União Europeia somaram em média USD 548, e essa diferença pode ser explicada pela ampla cobertura dos sistemas universais de saúde na maioria dos países membros da União Europeia, que fornecem uma maior rede de cobertura para a população. Por outro lado, a combinação dos planos privados de saúde com o “National Health Insurance Model” e o “Out-of-Pocket Model”, em vigor nos Estados Unidos, acaba por aumentar a complexidade de um setor já complexo, gerando menores taxas de consumo e piores resultados gerais para a população.

ACESSO A SAÚDE - 3/4 DOS BRASILEIROS DEPENDEM DO SUS

Da mesma forma, o setor de saúde brasileiro é marcado por diversas particularidades e complexidades, pela falta de eficiência e pelos insuficientes níveis de financiamento, dificultando assim o acesso ao tratamento de milhões de brasileiros. O SUS (Sistema Único de Saúde), a espinha dorsal da rede de saúde brasileira e um dos maiores e mais ambiciosos programas de saúde do mundo, atende cerca de três quartos da população do país - 150 milhões de brasileiros, uma vez que a maioria não possui os meios disponíveis para acessar provedores privados de saúde. E, da mesma forma que nos EUA, há muito espaço para melhorias. Por exemplo, em muitos lugares do Brasil, a saúde pública não atende às necessidades da população, dada a insuficiência de recursos implantados - seja número de médicos, equipamentos desatualizados ou longas filas de espera para consultas e tratamentos.

Essa dificuldade de acesso ao sistema público abre espaço para as operadoras de planos de saúde atenderem mais de 50 milhões de brasileiros - sendo este o segundo maior mercado de seguros privados do mundo, a maior parte suportado por grandes corporações e empresas. De acordo com o banco de dados do Banco Mundial, o gasto total com saúde no Brasil foi de 9,5% do PIB em 2018 (dados mais recentes disponíveis), com os gastos do governo cobrindo apenas 42% do total, despesas Out-of-Pocket compreendendo 27% do total e os 31% restantes suportados por gastos privados (planos de saúde e seguros). Guardadas as devidas proporções, quando comparamos a complexidade, estrutura de gastos, dificuldade de acesso, começamos a traçar paralelos significativos entre o setor de saúde nos EUA e no Brasil, e é aqui que as semelhanças entre os países podem começar a ser exploradas do ponto de vista empresarial.



DISRUPÇÃO NA SAÚDE JÁ COMEÇOU NO BRASIL

Não por acaso, durante a última década, depois de afrouxar as restrições de capital estrangeiro no segmento, o mercado de saúde despertou grande interesse de investidores estrangeiros, resultando em negócios que incluem a aquisição da Amil Participações (maior seguradora privada de saúde do Brasil) pelo UnitedHealth Group dos Estados Unidos por US $ 4,9 bilhões, e o grupo de private equity dos EUA Bain Capital comprando a seguradora Notredame Intermedica por US $ 620 milhões. E, mais recentemente, no final de 2020, a rede hospitalar Rede D'or captou mais de US $ 1,7 bilhão via IPO, tornando-se um dos maiores IPOs brasileiros dos últimos anos, e, em 2021, tanto a Rede Mater Dei de Saúde quanto a Kora Saúde entraram também em IPOs, cada um levantando US $ 200 milhões e US $ 120 milhões, respectivamente.

Somando-se a essa tendência de consolidação está também o investimento em empresas de tecnologia voltada à saúde, as chamadas - healthtechs, seguindo a pressão crescente para transformar a indústria em um modelo de atendimento centrado no consumidor. Grandes avanços no setor de saúde devem ser vistos nos próximos anos por meio de (i) mudanças nos modelos de atendimento, seguindo os movimentos internacionais de verticalização da saúde, e (ii) o desenvolvimento de novos modelos de negócios, tais como: autocuidado (autoatendimento e atendimento virtual junto ao monitoramento remoto), social care (redes comunitárias de saúde) e novos modelos de pagamento e de financiamento a saúde, alavancando assim o acesso à tratamentos e procedimentos.

Mais sobre o assunto pode ser visto aqui: Mckinsey Articles.

No próximo artigo, iremos nos aprofundar nos cenários HealthTech e FinHealhTech no Brasil e nos EUA, com foco em (i) similaridades dos movimentos de disrupção e inovação do setor, (ii) investimentos recentes no lado tecnológico, (iii) enormes possibilidades para o cenário de saúde brasileiro, bem como (iv) casos de sucesso que se sobrepuseram aos operadores históricos da indústria nos Estados Unidos.

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